ACOMPANHAMENTO DO PACIENTE IDOSO NA POLIFARMÁCIA
Resumo
No Brasil, a alta prevalência de doenças crônicas na população idosa frequentemente impulsiona a polifarmácia, aumentando riscos à saúde. Este estudo observacional e longitudinal teve por objetivo analisar o perfil farmacoterapêutico e os comportamentos relacionados ao uso de medicamentos em idosos atendidos no ambulatório da Casa de Saúde São Carlos (Centro Universitário FAMESC), em Bom Jesus do Itabapoana – RJ. A amostra foi composta por 64 participantes com idade igual ou superior a 60 anos, todos portadores de doenças crônicas. A coleta de dados ocorreu por meio de questionários e entrevistas clínicas. Os resultados evidenciaram que a polifarmácia (uso de 5 ou mais medicamentos) foi mais prevalente na faixa etária de 60 a 70 anos (50% da amostra), apresentando redução numérica absoluta nas faixas etárias subsequentes. As classes terapêuticas mais utilizadas incluíram anti-hipertensivos, estatinas e hipoglicemiantes, com destaque para o uso expressivo de antidepressivos em idosos acima de 80 anos. Identificou-se um cenário preocupante quanto à segurança: 100% dos entrevistados relataram algum nível de uso de medicamentos sem prescrição e apenas 3 participantes (4,7%) afirmaram verificar possíveis interações medicamentosas. Apesar de a maioria relatar boa comunicação com a equipe médica, observou-se lacunas significativas na orientação sobre riscos e interações. Conclui-se que, embora o acesso ao tratamento seja amplo, há uma necessidade urgente de fortalecer a educação em saúde e as estratégias de prevenção quaternária para promover o uso racional de medicamentos e o autocuidado seguro nesta população.









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